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Rotunda




O Sol tinha-se retirado na previsível e universal divergência metereológica com a chuva, .
Ela chegou, como sempre, sem avisar caíndo de braço dado com a gravidade ... a molhar a última conquista de Rá, sugerindo a corrida para um abrigo seguro, afastado desse contágio de gotas obesamente indesejáveis.
Sempre que a chuva caí, torna-se exemplo primeiro onde o caír não lhe é doloroso e singular e deixa-se cair com ela aquele silêncio obstinado e audível.
A estrada torna-se mais lenta, as luzes mostram-se e ela sorri com aquele seu lado convencido por ter voltado a ganhar ao provocar o encolher dos outros.
Numa berma da rotunda vi-o sentado no rail desafiando a chuva deixando-a de ombros rendidos cair-se por ele. O carro teria capotado e voltado ao estado inicial semeando pela estrada infértil os restos daquele final de tarde indesejado, com sintomas graves e melhoras rápidas pouco optimistas.
Ficou-me a imagem de ambos, molhados, presos naquele silêncio indolente à espera que a chuva ou a página mudassem.
Antes fazer meia volta no final da recta vi a intermitência de luzes azuis aproximarem-se da rotunda e segui em frente.

5 comentários:

Feiticeira disse...

5*!
Parabens, gostei imenso deste "ganda embloglio"

Continua!

infiel disse...

bebo as tuas palavras, satisfaz a minha sede :)

joquinhas cavaleiro

Laura disse...

Também gostei.

By myself disse...

É sempre bem empregue o tempo que gasto nesta paragem. A escrita é perfeita e a sensibilidade uma montanha.

Beijinhos

Aki disse...

... Mas elas são tantas !!!
Whaaaaaaay ?