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Arrumava velhos discos de vinil e notas em papeis soltos dentro de um saco enorme. Fez-me a passagem de antena e trocámos algumas palavras. Os anos noventa tinham começado por essa altura. Habituámo-nos a esse ritual durante um tempo...pouco importa quanto. O Rogério era a voz maior da estação. Foi ele de resto "o pai" dessa rádio que uns anos antes tinha conquistado um espaço por direito próprio no éter da cidade luz. A voz era rouca, segura, pausada. Os seus poemas surgiam pelo meio de músicas e pensamentos, onde Amália e o fado tinham sempre lugar cativo. Umas das memórias que me ficaram desse tempo eram desenhos soltos, feitos durante cada programa e abandonados no cesto dos papeis, que me habituei desamarrotar a cada vez que me sentava para mais um programa. Alguns anos depois os caminhos afastaram-se. Passaram mais uns anos, não sei quantos, mas amizade perdurou. O Rogério do Carmo escritor, caricaturista, vernáculo, "je m'en fous", polémico, espontaneo, editou mais um livro de poemas. O livro chama-se "Vagas"... lanço ao mar virtual um registo do poeta e amigo. Um abraço Rogério.
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