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Xadrez

     
                                         Foto: Mika
                             


Voltas para o perto deste lado
Queres, a dizer-me baixinho, que te agarre
Como se nunca tivesses fugido
Como se nunca te tivesses trocado por nada

Trazes desta vez um sorriso dobrado
Que observo por trás do teu andar indeciso
Queres voltar a ser aquilo que decidiste perdido
Quando te roubaste tempo e o deixaste morto

Fizeste o que mais te convinha
O que o teu impulso "novo" te segredou
Sem sequer pestanejar, igual ao resto do todo
Baptizaste-te de ética, de verdade, de convicção, de exclusividade
E no voltar caem-te por entre os dedos, todos os apelidos ao chão
Trazes-me sabores de mar sempre nos passeios de deserto
Que dizes de nós, diferente, a cada grão de areia
A cada gota de oceano provado a emiscuir-se no escuro

Pareces-me afinal pouco do teu todo que contas
Dizes que tudo podes, em qualquer tempo que a gramática inventou
Mas quando conjugas o verbo no Eu, nada cabe na primeira pessoa
Só a ti te importas só a ti te validas o perdão
E quando hipoteticamente mudamos o jogo
Mostras prontamente que só sabes jogar do lado que te convém
Porque só nele sabes poder ganhar.

Tudo te podes, tudo te permites, mas...
Ao jogares do outro lado do tabuleiro não resistirias, como assumes, à insuportabilidade do cheque mate.

21 comentários:

louca esquizoffrenica disse...

sofrer um xeque-mate é algo extremamente doloroso, talvez seja apenas uma forma de esconder ou não admitir que não sabe as regras do jogo e que se confundiu nas cores do tabuleiro e nos movimentos das peças há muito tempo, mas recusa-se a deixar de jogar e isso pode ter algum valor ou não, não sei mas o que visualizei das tuas palavras podia ser assim. Bem-vindo de novo mika

Humana disse...

No jogo da vida é preciso saber ganhar e perder. Há quem não saiba...
O poema é lindo, Mika!
Beijinhos

Apenas eu disse...

é em momentos como este, em que te leio, que penso que vale a pena circular por aqui.
gostei de cada palavra. de cada jogo. gosto da forma simples e ao mesmo tempo complicada com que fazes a tua análise á personalidade de um alguém que conheces.
realmente para se ter um abraço sempre á nossa espera é preciso compreender que o Eu e o Tu estão no mesmo tabuleiro. Não importa de que lado. porque estão para se acompanhar.

Um grande beijinho Mika aprecio imenso essa tua frontalidade.
e obrigada.

Paula disse...

A existência do ser humano é recheada de etapas. Cada uma delas fará sentido para que a etapa seguinte seja mais afirmativa, mais segura, madura, à custa de aprendizagens escritas na pele.

Cada um de nós é um livro cujo final ainda não foi lido e é este estado de mistério e de renovação que nos faz respirar com prazer.

O individualismo próprio dos nossos dias cria desentendimentos e consequentemente rupturas.
Mas penso que as relações humanas não devem ser como o jogo de xadrez. Existem condicionantes que não estão contempladas nas regras gélidas de um jogo.

A dedicação incondicional, o diálogo e a comunicação sem sombras e fantasmas, podem trazer surpresas agradáveis e alterar o percurso das personagens.

E aí a vida pode latejar em entusiasmo, independentemente do ganhar ou perder, porque no amor vence-se aos pares...

Abraço

O texto em forma de poema está sublime!

lagrima disse...

Fabuloso poema!
Desenhaste na perfeição o que te parece ser a posição da tua parceira de jogo.
Desta vez saio eu sorrindo, imagino que jogas com alguém que parece ser quase tão inteligente quanto tu!... Este é um desafio interessante, tal qual o mostras...
Quem sabe se a quem te acompanha nesse jogo aguarda ansiosamente esse cheque mate?!
Muito interessantes estes teus desafios!
Igualmente interessantes os teus comentários.
É claro que também vou permanecer por aqui :)
Beijo

Som do Silêncio disse...

Hum!
:)

Processado!

Beijo vermelho

Som

Anónimo disse...

Tenho-te lido também por aqui desde, quase sempre, cinco anos creio-
E com este teu -Xadrez- acho que deixei de te conhecer.Sempre foste exímio jogador de xadrez. Receias o CM vencido ou vencedor? No epílogo ainda sabes que sais sempre vencedor, não?
O romantismo de que troçavas aqueceu-te os polos ou foi o equador que se tornou escaldante?(sorriso suave)
Amei ver isso nas palavras que se melhoram em ti a cada "pena" a cada texto. Uma expressão tua que sempre me tocou a hormona colorida.
Apetece-me voltar a ouvir leres os teus textos. Como este, - Noites Lisboetas-, - Desafiante-
Porque abandonaste a ideia de leres o que escreves como fizeste durante um tempo e deixar essa opção a quem te lê? É preciso fazer um abaixo assinado? - Quero a tua voz sensual de volta ao Embloglio.
Reparei que voltaste a dar de ti na fotografia, já não era sem tempo.Tinha saudades disso.
O tabuleiro de xadrez que ainda deve empoeirar no aparador entre duas portas, ficou uma masterpiece para esta ilustração.
Gosto desse teu inspirado como nunca. Consigo senti-lo mesmo fora do alcance da mão. Vê se desta vez permites o eterno continuar a inspirar-te assim.

Beijo salgado

Alethia

Anónimo disse...

Surpreendente...!
Ainda não te tinha lido nesta cadência mista de sensibilidades próprias de poeta e de raciocínio nu e cru de um jogador de xadrez, concentrado em adiantar as jogadas lhe são devolvidas e por demais suas conhecidas. Será assim mesmo...este um jogo que ainda lhe é sedutor?
Também surpreendente, para mim, são estas lisas e limpas palavras...que quase me transportam à visualização dos dois jogadores em confronto (?)...e ao cheque-mate que se advinha próximo.
Gostei!

permitindo-me..um beijo...may be..Sweet&Deep :)

continuando assim... disse...

Miguel :)
um desafio para ti, lá no Continuando assim...

bj
teresa

Silk disse...

Acho que a mulherada te idolatra... será só pela escrita? lol!
A mim cativaste-me primeiro com outros encantos, com a escrita não é certo que o conseguirias. Sempre enigmático e eu que gosto de tudo claro. Mas assumo, xeque mate!
;)

Azul disse...

devo fazer deste comentário apenas um sussurro...
:adorei este Ipod que aqui mora de lado!!
ouço Júlio Pereira e vou já sair de mansinho, para não atrapalhar a concentração de quem joga...
:)

kiss for you, baby!

margusta disse...

Um jogo jogado, no tabuleiro da vida...
Um jogo de emoções, do saber estar,do sentir, do compreender o outro lado...

E que tu Mika,

soubeste descrever tão bem neste belo poema.

Um beijo meu, e um sorriso para o teu dia.

Margusta

Pedrasnuas disse...

SABES...COMO ESTOU FORA DA JOGADA...E HÁ MUITAS JOGADORAS EM LINHA...E ALÉM DISSO NÃO APRECIO, NEM JOGO NUNCA...E SE JOGO NÃO ME INTERESSA GANHAR...RSRS...

GOSTEI SIM DA FOTO!!!MUITO BOA MESMO!!!E TEM MUITO VALOR PORQUE É TUA...
GRATA PELAS DICAS...

BEIJINHOS MIKA

PEDRAS

Dani disse...

rsrs
pelo visto vc é um bom jogador de xadrez...

já eu nada entendo! =S

mas apreciei o texto

:)

beijos

Graça disse...

O teu poema está magnífico, nas associações, nas imagens, na figuração da linguagem, enfim. Eu gosto de belas palavras :).
"E no voltar caem-te por entre os dedos, todos os apelidos ao chão"_______o meu verso preferido.


Um beijo para a tua semana.

[adorei a foto]

nuvem disse...

Vim retribuir as simpáticas visitas à minha nuvem.

Deixo um beijo.

Brown Eyes disse...

Mika cá estou eu mas, em branco. Não tenho a mínima noção como se joga xadrez. E agora? Adorei o poema. Poemas que também não escrevo. Está bonito isto, não está? Beijinhos

Isabel disse...

xeque-mate. mesmo . às imponderáveis linhas da vida.




(obrigada)





(imf.piano)

Anónimo disse...

Aprendi a jogar xadrez mas nunca fui boa jogadora. Nem no jogo nem na vida. É-me impossivel estipular jogadas pensadas previamente para manipular a vida e os outros. Jogo sim, como todas as pessoas, mas com esquivas e respostas às jogadas que me lançam. Prezo demasiado a liberdade do ser para manipular um jogo ou alguém. Sim, gosto de vencer naquilo que sinto mas a verdade de ser eu própria e a liberdade da escolha do outro comandam totalmente este jogo que não é jogo. É assim que jogo xadrez, brincando à espontaneidade da reacção do momento e com verdade. Em geral perco... não é dificil haver melhores jogadores a tomarem-me o lugar!
Ah! O jogo da sedução! Esse gosto... Mas será um jogo ou apenas demonstrações do sentir com o desejo de união de ser? Um sentir verdadeiro que não lança jogadas vislumbrando algo material que se quer do outro no futuro... Seria bom que fosse assim.
Sou mesmo má jogadora! Às vezes questiono-me sobre o certo e errado de ser assim. Sempre a mesma conclusão: não consigo ser de outra maneira que não me sinta eu própria.
Amigo, nestas palavras tuas que adorei, penso que não estás a jogar... estás a sentir o efeito de uma jogada sem verdade.
Desejo-te tudo de bom. Fica bem. Keep it simple!

sonja valentina disse...

olá miguel.
já aqui tinha vindo diversas vezes... cheguei por blogs comuns que ambos seguimos.
obrigada pelo teu comentário, e aparece sempre... aporta fica encostada.
sonja.

Anónimo disse...

...sente-se o toque do sofrimento, nesta narratória crua, muito real, sentida de forma ímpar,...a dor de quem no mundo do amor, foi por alguém abandonado...custos dum abandono!!!...quem não sentiu este rasgar de peito, nesta falta de ar, este negro sem luz ao fundo...
Brinca-se com os sentimentos, deslocam-nos como peões de xadrez nos sentissem e na esperteza cáustica querem de novo um lugar que por vontade abandonaram...
...essa manha de pé, ante pé feita doçura, esse ronronar de felino em cio fingido é simplesmente abominável!!!...a todos os que brincam, jogam com o sentir de outrém, em xadrez azul da vida, desloco-me em saída e deixo o sabor da luva branca em xeque mate...
...todos temos um limite!!!...exige-se o respeito para ele estar para além do infinito,...é que xeque matear tem também custos para quem o dá!!!...e ninguém nasce em berço de ouro!!!...ouro são os valores, a correcção do estar,o respeito por nós e pelo outro, entre outros...essas as pinceladas que persigo...ou se têm, ou não...não se compram!!!...e quando não existem,brinca-se com o sentir dos que sentem!!!...revi-me no teu texto...
...não gosto de deixar pessoas para trás,dou o benefício da dúvida, faço nova tentativa, tudo esgoto e esgotada de incompreensão restou-me a peça final...!!!