Intervalos vários...
Nesse intervalo a minha companhia saiu com objectivo nicotinico e nem reparou no ecran. Eu também não...assim de repente, aposto o meu porquinho mealheiro que tu também não repararias.
Os olhos passearam-se por todas as opções disponíveis da sala até restar a última...
"INTERVALO
Segure-a bem, descontraia-se."
Será que foi uma ilusão partilhada pelo meu aprisionador de momentos de bolso? Ou também já viste num intervalo perto de ti?
Pensei provavelmente o mesmo que tu... já agora comenta! O que pensarias, na cadeira do cinema, ao leres o mesmo que eu li?
Sim sim tu que estás aí com o nariz pertinho frente ao teu monitor catódico ou LCD... vá lá confessa o que pensarias...desafio-te.
Ary... a quatro vozes
A primeira "semente" do ano par
Como fã de uma das melhoras bandas dos 80's , "Jafumega", partilho o meu tema preferido da playlist de janeiro que vos proponho. "Uma semente" - Luis Portugal...uma letra com acordes simples e fantástica... Vou tentar arranjar a versão original. Até lá fica esta para ir saboreando...assim devagarinho, ao ritmo de semente de canteiro...
Que eu pudesse semear
Eu fazia um canteiro
No melhor do meu jardim
Protegia-o da geada
Dava-lhe o sol a beijar
Tratava do meu canteiro
Como se fosse de mim
E se a flor tivesse as cores
E os reflexos da tua voz
Se tivesse o mesmo cheiro
E o porte que já te vi
Acreditas que eu teria
Plantada no meu jardim
Pintada na minha alma
Se não te posso ter a ti
Se houvesse uma semente
Que eu pudesse semear
Eu fazia um canteiro
No melhor do meu jardim
Protegia-o da geada
Dava-lhe o sol a beijar
Tratava do meu canteiro
Como se fosse de mim
E se a flor tivesse as cores
E os reflexos da tua voz
Se tivesse o mesmo cheiro
E o porte que já te vi
Acreditas que eu teria
Plantada no meu jardim
Pintada na minha alma
Se não te posso ter a ti
2010... O ano par...!?
2010...conta-me histórias
Final original do ano (in)par
Chamem-me mentiroso...mas tinha que vos dar outra...não me interessa, não podia deixar de partilhar este video cá do burgo antes do final deste aninho quase despedido.
Em tempo de crise tiro o meu barrete de inverno à TAP apesar de não ser originalmente global, cá pelo burguinho penso que foi. Que 2010 traga momentos multiplicados destes e de outros.
( thanks Cris)
Até 31
Esta é última que dou este ano e entro em férias de inverno. O meu espírito contra, prefere o mar à neve.
Daqui não saio até à última badalada da meia noite de 31.
- Era uma tosta mista em pão alentejano, um chocolate quente e um cheesecake de limão. E já agora uma daquelas mantinhas que estão ali nas espreguiçadeiras.
O Tejo tem novas histórias, para me contar ao ouvido.
L'ombre au tableau
Bem vindos ao ano par.
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Un paysage de terre cuite, un ciel qu'on dirait de Magritte
La grange couverte de lierre, le lézard qui dort sur la pierre
Le chat enroulé sur le seuil, l'insecte caché sous les feuilles
Le monde est dans ses couleurs pures comme dans tes boîtes de peinture
Venue d'au-delà des nuages du fond du temps et des âges
Il tombe une étrange lumière d'herbe, de vent, de poussière
Sur nos deux fauteuils inutiles, ce cerf-volant pris sur les tuiles
Les choses semblent être éternelles comme dans tes boîtes d'aquarelle
Dans le bleu ciel, entre les branches, l'avion laisse une traînée blanche
Comme un ruban, un long nuage, comme pour dire "Tout se partage"
Au matin sur le lac immense, il suffit qu'une barque avance
Et l'eau tremble à n'en plus finir comme pour dire "Tout se déchire"
Peut-être, essaies-tu quelque part de peindre l'amour de mémoire
De recomposer les couleurs d'automne mourant sur un coeur ?
Si tu veux savoir où j'en suis, les choses ont peu bougé depuis
Ce jour où tu as tourné le dos, sauf peut-être l'ombre au tableau
Dans le bleu ciel, entre les branches, l'avion laisse une traînée blanche
Comme un ruban, un long nuage comme pour dire "Tout se partage"
Comme pour tes débuts à la gouache, sur la jolie toile une tache
Toute dans le blanc diluée comme pour dire "Tout se défait"
Dans ta lumière favorite, celle qu'on dirait de Magritte
La grange couverte de lierre, le lézard qui dort sur la pierre.
Aicha
Pigalle molhava-se num tremer de outono. O odor a kebab a soltar-se provocante na esquina.
O Moulin entorpecia desejos iluminados. A noite apressada passeava-se de Clichy a Boulogne, a Foch...para morrer no Sena depois da última gota de Beaujolais. Um vão de Saint-Louis abrigou-lhe o último adormecer. Na porta do julgamento, escolhidos e condenados clamam ao Sol outro nascer. Maomé tinha-a escolhido.
"Sismado"
Os espanta espíritos agitaram-se assinalando numa subtil sonoridade o romper daquele silêncio de 1:37 da madrugada. As velas continuaram empenhadamente acesas sem mexer . A terra abanou.
Senti esse estremecer como se de uma carta de baralho empilhada me tratasse. Durou dois ou três segundos que abraçados à eternidade da impotência me pareceram minutos, ou horas atadas ao infinito da lógica. Era apenas um sismo. Alguns alarmes acordaram do alerta permanente que silenciam. Dois cães uivaram nos quintais vizinhos. E eu ali de pé, a herdar réstias de invulgaridade sismica.
Fui á janela e o céu estava tranquilo,não havia vento a provocar as folhas heróicas de final de outono, as luzes da rua serenas, o semáforo tinha mudado para verde, o último autocarro passava pachorrento na avenida, uma porta a fechar-se nas escadas... tudo estava onde sempre esteve sem laivos de diferença.
Uma ilusória realidade ?...e fui dormir.
Ida de regressos

Novembro tinha chegado e com ele a vontade de acender a lareira.
Riscou num fósforo comprido o desejo que o calor lhe inundasse a sala, iluminado pelas velas de tons quentes, subtilmente perfumados.
Envolveu as mãos na chávena de chá roubando-lhe num afago o calor apetecido.
Escorregou-se pelas almofadas a moldarem-se ao corpo numa empatia que sabia de cor.
E o ar invejoso a querer roubar-lhe o momento no evaporar do chá, que gostava quente e fumegante.
Os últimos dias foram como se tinha habituado no último ano, depois do divórcio legítimo, de duas décadas avarentas de sorriso, mais sofridos que o desejo da vontade. Roubou uma pausa ao tempo. O mar chamou-a e sempre obediente aos impulsos inquestionáveis, rumou a sul para a casa da praia. Uma sobra de passado que agora estava pela primeira vez a sentir sua, naquela chávena de chá, bebido na tranquilidade de um fogo aceso e velas, muitas velas de cheiro que só ela decidiu escolher.
Passeou os olhos por todos os detalhes daquela divisão, a sua preferida, relembrando o momento em que decorou cada pormenor. Sentia-se de novo ali noutro fragmento de espaço agora só seu. Provou sorrisos de memória e reflexão com todas as cores que o expectro lhe oferecia.
O passeio pelo tempo convidou o sono a entrar, devagarinho.
Acordou algumas horas depois com um abrir de olhos preguiçoso a provocar outro sorriso, este, triunfante. Um sonho dentro do sonho. Estava mesmo onde há muito precisava de estar. Consigo própria num lugar só seu.
A chuva tinha-a acordado, na lareira umas brasas tímidas pediam ajuda e eternidade, em sintonia com algumas velas. Levantou-se num pulo decidido a apetecer-lhe o sabor e cheiro de scones. E foi para a cozinha confeccionar o desejo.
Orgulhosa de outro momento só seu, levou um tabuleiro repleto de scones, compotas, chocolate quente e frutos secos para o alpendre. Pôs um gorro na cabeça, forrou a cadeira de bambu com um cobertor macio e enrolou-se nele deliciando-se com o lanche enquanto a chuva caía cada vez mais forte, invejosa daquele momento suculento.
Iria ficar por ali desafiando o tempo, sem pressa de voltar.
Chuva nova

Depois da borrasca de ontem as gotas tímidas desta manhã trouxeram-me nova "Utopia", disponível no aleatório. Um muster clip, muito mas muito bem produzido. Bato palminhas de pé ao video, à letra, à musica, ás vozes, ao arranjo... and so on.
Modo de usar: sem moderação mas tornando o momento utópicamente único carregando no link do título do post.
Lu de Lua
Esquecidas no fundo de um disco empoeirado debaixo de papeis que "um dia destes arquivo" reencontrei este mote das três primeiras linhas que me sugeriram o prolongamento nessa altura. A data é desimportante mas a Lua faseou-se mais de 30 vezes desde então. Soprei-lhe o pó com empenho e aí está ela de novo...actual. Abraçuuuu "brilhante" de Lu(a).
“Tenho fases como a Lua
Fases de andar escondida
Fases de vir para a rua”
De me ver em ti perdida
Redonda como um olhar
Brilhante em outro ser
Segura iluminando o mar
Sensual vontade do querer
Tem o outro lado da Lua
Outro Eu meu que me agrada
Quando sinto numa fase dela
Aquele brilhar vindo do nada
De ti quero sempre ter
Tudo que me quiseres dar
Passar depressa o não te ver
E desejar-te no voltar
Vem assim minha Lua
Quando iluminada sorris
Nas noites que te trazes nua
Iluminando-me perfis
"The Pursuit" - Jamie Cullum
Jamie com novo trabalho, "The Pursuit". Jazz, com muito experimentalismo sampler, salpicado com alguns ingredientes "coverizados" como o "Just one of those things" de Cole Porter ou este " Don't Stop The Music" de Rihanna com dedinho do rei da pop.
Músicos novos, também na idade. Não desgostei do CD, ao ouvir pela primeira vez... Vou ouvir a segunda ;).
"The (Right) Fall"
Ela "caíu" para um novo estilo... a voz continua planante e suave num experimentalismo variado, quase naif, pelas sonoridades globais. Gosteiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii e volto a ouvir... Esta e agora todas as outras com o CD fisicamente presente. "Quedo-me" ouvinte fiel.
Wither
"Open up open up
Don't struggle to relate
Lure it out
Help the memory escape
Still transparantness consumes me
And I feel like giving up"
Noites Lisboetas

Combinaram por telefone encontrar-se à porta dela. Um prédio pombalino com degraus de madeira restaurada, imaculadamente encerados. O corrimão em ferro forjado envernizado a mate incolor amparava-lhe o descer quando usava os compensados que lhe acrescentavam o resto da altura para o beijo equilibrado.
Ele chegou primeiro, como acontecia sempre. Pressionou o botão retro e polido da campainha…ela desceu. Ouvia-lhe os passos lentos compassados e seguros desde o bater da porta de quinto andar. A escada ecoava-lhe o chegar de forma apetecível e desejada de os ver de novo após tão grande ausência.
Ela tinha estado fora a preparar a colecção de inverno, em Milão. Ele de novo em missão no Iraque para um canal de informação inglês.
Há três meses que não se viam a não ser por vídeoconferência.
Ela pisava o último lance de escadas que ele conhecia de cor. Abriu a porta e ficou a olhá-la naquele descer. Nos últimos degraus deixaram olhos fixos um no outro enquanto os passos dela os aproximavam. Ambos esticaram os braços lentamente encaixando-se num gesto impetuoso. Depois num beijo leve de lábios.
Para não quebrarem a vontade de se sentirem juntos de novo, combinaram no inicio da relação, não falarem de nada durante o reencontro após uma ausência prolongada.
Conheciam o gosto de ambos em todos os cenários vividos.
A “Brasserie” da Alecrim era um dos restaurantes preferidos, calmo àquela hora a que costumavam jantar fora e tão próximo de casa dela. Onde quase sempre terminavam a noite.
Ele pediu bem passado, ela um seitan e espumante rosé para acompanhar. Ele um Romeira tinto. Continuaram a olhar-se alheios a tudo, revendo-se no desejo já vivido de voltarem a tocar-se ali por debaixo da mesa coberta com uma toalha branca a transbordar pano e margem de segurança ética.
Ela num vestido novo, largo e vermelho, escorrendo leve e amarrotado quase até aos joelhos, decotado a insinuar-lhe o peito.
Começaram pela salada de odor intenso a vinagrete, polvilhada com frutos secos. Ela, num movimento denunciado, continuava a olhá-lo. Era o convite para que ele, já descalço, posicionasse o pé no meio das pernas dela. O movimento lento ao tocá-la… provocou-lhe em menos de um minuto a intensidade suficiente para que os olhos denunciassem sem pestanejar aquele primeiro orgasmo para ele. Sempre de olhos fixos e mudos de palavras. brindaram ao primeiro dessa noite, esvaziando os copos num único gesto até à derradeira gota. com a mesma vontade e empenho que tinham sentido momentos antes.
Durante o resto do jantar permaneceram calados a invadir-se com o olhar. num jogo grandiosamente dominado por ambos.
Outro ritual fazia parte daquele reencontro. O ultimo copo era bebido, como o primeiro, de uma só vez.
Saíram do restaurante, trocando as mãos na cintura. Quando ela punha sapatos mais altos ele adorava colar-se, para lhe sentir ainda melhor o andar.
Perto da casa dela e já no regresso um concerto clássico de rua juntava várias centenas de pessoas. Encontraram um encosto de parede disponível ao fundo da plateia entre duas colunas das arcadas de uma loja.
O concerto recomeçou, ela fechou o olhos e deixou-se recuar até mais perto dele que de tão perto, lhe sentia o respirar na sua nuca. Um sopro de vento frio mas suave fez aninhar-se ainda mais.
A musica invadia toda a praça em crescendo... como ela, abraçando-o até onde a mãos chegavam. Sentiu as dele responderem a essa provocação tacteante.
Os bolsos do vestido não tinham fundo propositadamente. E ele sorriu ao sentir-lhe a pele convidativa das ancas na ponta dos seus dedos. Das contracções de ventre dela a cada poro estimulado.
Uma mulher ali mesmo ao lado apercebeu-se e olhou-a com um sorriso cúmplice.Ela voltou a fechar os olhos até se perder demorada e expectante na intensidade do próximo. Recostou a nuca no ombro dele e deixou-se levar pelo contraste daqueles dedos que sabia de cor, em crescendo até à apoteose do “coroado” estimulo final , de Mussorgsky, coro e sinos em sintonia com o que lhe vinha de dentro. Durou o tempo das palmas de toda a plateia que lhe abafaram o sussurro descontrolado.
Ficaram ambos na mesma posição até todos saírem da praça...sobravam ecos de concerto naquele desconcertante reencontro há muito desejado. A noite estava a começar...
Comfortably Numb
Os lábios dançam... envolvendo em pétalas de silêncio a tonalidade alaranjada de outro ocaso de Tejo...saboreando-a, num sorriso "confortavelmente entorpecido"
reFLEXOS

As margens calam o silêncio barulhento das rochas
Os pássaros abandonam o voo
O oceano perde-se em marés
O sol mentiu... fingindo-se lua.
...e nessa quase noite... só os reflexos foram reais.




